Rose & Kat | T1Ep2.2 | O meu reflexo

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Terça-feira, 14 de Maio

Querido Diário,

Hoje estou num frenesim só.

Com a autorização para abrir o baile de final de ano com um desfile – que, devo dizer, foi muito mais fácil de conseguir do que esperava – faltava agora escolher as peças que iria apresentar.

Mas nada me parecia suficientemente bom.

Aquele nervoso miudinho, misturado com o receio de falhar, criava dentro de mim uma sensação de incapacidade. Não tinha medo de que se rissem de mim ou de que não gostassem das minhas peças. O que realmente me assustava era a possibilidade de desiludir a Joan e a Dianne.

Por isso, a pouco mais de quatro semanas do baile, tomei uma decisão: iria criar tudo de raiz. Desenhar novas peças, pensar numa pequena coleção e fazê-la acontecer.

“Tem de ser uma coleção pequena, para conseguir terminá-la a tempo… E ainda tenho de escolher os materiais…”

Aos poucos, as ideias começaram a surgir e eu já não conseguia parar de desenhar.

“A Joan e as suas ideias”

Esta frase saltitava constantemente no meu pensamento.

Acabei por adormecer entre os meus esboços e, durante as horas que se seguiram, a idealização do desfile ocupou por completo os meus sonhos.

Acordada, estava receosa. Mas, quando sonhava com os cenários a ganharem vida, com os sorrisos da plateia e com a ansiedade misturada com o entusiasmo visível nos rostos das meninas, algo dentro de mim mudava.

Era um desejo forte, quase ardente. Uma vontade de ir mais longe, de arriscar, de transformar aquele sonho em realidade.

E esse desejo consumia-me... mas, ao mesmo tempo, tornava-me destemida.

 

Quarta-feira, 15 de Maio

Ao acordar, ainda conseguia imaginar cada momento que tinha sonhado.

Enquanto lavava os dentes, fiquei a olhar o meu reflexo no espelho e dei comigo a pensar – “como gostaria de ser a rapariga nos meus sonhos... Destemida. Sem medo de arriscar.”

Por mais que tentasse afastar aquele sentimento que me fazia duvidar de mim mesma, havia uma voz na minha cabeça que continuava a dizer-me que eu não era capaz. Que não iria conseguir.

Alguns diriam que era apenas a minha consciência, mas como podia sentir-me tão dividia entre duas realidades?!

Ver-me de uma maneira e depois agir de outra.

Sonhar em ser alguém que, na realidade, ainda não conseguia reconher em mim mesma.

Será que eu não estava no controlo da minha própria vida!?

Pela hora de almoço tinha a confirmação da Sofie e da Monic que, também,  aceitaram participar no desfile.

Passei o dia focada nos croquis que queria apresentar à Joan nesta tarde e, quando dei por mim, já tinha desenhado oito conjuntos para as minhas quatro melhores amigas.

Joan: Olá, Rose. Como está a correr o trabalho? Adoro o som desta frase, “como está a correr o trabalho”, soa tão adulta.

Rose: Olá, Joan. Neste momento, soa-me a cansativo, mas admito que estou a adorar o resultado final. Diz-me o que achas.

Joan: Uau, Rose! Estão incríveis…

Rose: A sério? Não acha demasiado atrevido?

Joan: É um desfile de verão! Estes desenhos estão incríveis. E não é difícil perceber quem vai usar o quê.

Rose: Já que são vocês a desfilar, desenhei dois conjuntos para cada uma. Inspirei-me nos vossos estilos.

Joan: Estou a ver... Estes pormenores estão maravilhosos. A sério!

Rose: Obrigada!

Bem, os croquis estavam feitos e aprovados pela Joan.

Agora faltava escolher os materiais e começar a produzir as peças.

Avizinhavam-se algumas semanas atarefadas, mas também muito divertidas. Afinal, se envolve corte e costura, estou no meu parque de diversões personalizado.

No meu mundo.

O lugar onde posso ser eu mesma.

Onde aquelas duas versões de mim – a rapariga que tem medo de arriscar e a rapariga destemida que vivia nos meus sonhos – podiam ser uma só!

Com carinho, Rose

[T1Ep2.3 | A consciência dos Sonhos]

[T1Ep2.1 | Começar pequeno, Sonhar em grande]

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